segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O lorde, o dândi e o analfabeto

Fernando Henrique Cardoso, com seu jeitão de lorde, é tido e havido como um dos principais intelectuais brasileiros, suprassumo do conhecimento acadêmico, farol a iluminar a obscura vida brasileira. Exibe títulos de doutor honoris causa concedidos por universidades mundo afora, numa profusão de diplomas utilíssimos para decorar paredes. Uma pessoa sem a qual, possivelmente, a terra não giraria em torno dele, perdão, do Sol.

Caetano Veloso, no seu eterno estilo dândi, fazendo o tipo blasé, é considerado, não sem justa razão, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, protagonista da Tropicália, significativo movimentos da MPB e autor de letras antológicas, luminar a contrapor a excrescência dos axés, pagodes e outros lixos que nem podem ser chamados de música. Um sujeito sem a qual, possivelmente, a música brasileira seria uma espécie de buraco negro da mediocridade.

Fernando Henrique Cardoso e Caetano Veloso, cujos predicados intelectuais e musicais não podem nem devem ser ignorados, são dois ególatras de marca maior.

A idade avançada de ambos não os amadureceu o suficiente para aplacar a vaidade desmesurada e para entenderem que existe, sim, vida longe dos holofotes.

E que o mundo gira e canta sem eles.

Na busca por um brilhareco fugaz, no intervalo de uma semana, Fernando Henrique Cardoso e Caetano Veloso miraram no mesmo alvo: o presidente Lula.

Existe maneira melhor de aparecer do que atacar uma pessoa que está no esplendor do reconhecimento, no mais alto dos cumes, no centro de todas as luzes, por méritos próprios e não por obra do acaso?

Fernando Henrique e Caetano, claro, usaram a polêmica rasteira, para sair um pouco das sombras do anonimato, da aposentadoria compulsória.

Num artigo laudatório, recheado de ressentimentos e ponteado de inveja mal disfarçada, Fernando Henrique atacou Lula, a quem qualificou de autoritário e de adotar uma política equivocada na condição dos destinos do país. Bateu, de forma sutil, na falta de cultura do ex-metalúrgico Lula, entre outras diatribes, prontamente repercutidas por uma parte da mídia que lhe devota uma adoração quase divina.

Esqueceu-se de lembrar que, nos oito anos de seu mandato, o Brasil ´quebrou` três vezes, estatais foram saneadas com dinheiro público e depois privatizadas a preço de ocasião e a credibilidade do país no Exterior era nenhuma.

Caetano, que nos últimos anos só fez sucesso esporadicamente quando regravou canções bregas de sumidades tipo Peninha (quem?), foi ainda mais grosseiro. A pretexto de anunciar ao universo sua intenção de votar em Marina da Silva para presidenta, embora ache Serra bom, mas travado; Dilma boa, mas presa aos esquemas do PT; e goste de Aécio Neves (ufa!), disse com todas as letras que Lula é analfabeto, grosseiro, cafona e não sabe falar.

Óbvio que declarar o voto em Marina lhe renderia pouco espaço na mídia, mesmo a que tem orgasmos quando ele abre a boca para cometer suas pérolas. Caetano sabia, como FHC sabia, que só ganharia as manchetes se atacasse Lula.

Enquanto Fernando Henrique e Caetano Veloso, o lorde e o dândi, babavam por uma réstia de notoriedade, Lula, o analfabeto, recebia na Inglaterra, onde se reuniu com a Rainha Elizabeth, o título de liderança mundial de 2009.

Manteve-se olimpicamente indiferente ao que pensam o grande intelectual e o genial compositor, que brevemente estarão de volta às paradas de insucesso, enquanto a banda toca e a vida segue.

Sem eles...

Por Daniel Thame

6 comentários:

S. Levy Lima disse...

pessoalmente não gosto do lula, mas não é o meu país que ele governa, assim....

de qualquer forma gostei muito do estilo da escrita ;-)

abçs

Anderson Simoes disse...

A declaração de Caetano foi no mínimo infeliz, pois, além de ofensiva, está carregada de preconceitos. Num país republicano e democrático, qualquer cidadão - em pleno gôzo de seus direitos políticos - pode disputar e chegar ao poder pelo voto. Em seu discurso está albergada a idéia que o poder político nesse país seria propriedade apenas dos letrados, “antenados” e sofisticados, uma visão altamente excludente e preconceituosa – quase fascista -, sobretudo num país em que educação e cultura viraram mercadoria e distintivo de classe. Além disso, Caetano, de forma desonesta, usou a figura da Senadora Marina apenas para ofender o presidente e polemizar, ou simplesmente aparecer. Aliás, entendo que Marina da Silva, pela sua trajetória política e de vida, dispensa esse tipo de comparação. O problema de Lula não está nos seus maneirismo e nem na sua pouca instrução formal, mas sim nas composições e aliados políticos que ele vem fazendo para governar, ou seja, ele peca por ser igual a todos os outros presidentes que ele tanto criticou – e isso pode ser dito de forma clara, sem ofensas e grosserias. Caetano é o verdadeiro mal-educado dessa história. A liberdade de expressão não exclui a responsabilidade legal pelo que se exprime, por isso a CF/88 assegura a liberdade de expressão, mas veda o anonimato. Nos EUA, ou na Europa, nenhum artista faria isso . Engraçado, mas Caetano nunca teve a mesma atitude em relação a ACM e sua oligarquia anacrônica

Anderson, Baiano, e indignado com este infeliz e puxa saco do poder.

Abraço

Claudinha disse...

Não li a declaração de Caetano, então acho que ele até pode ter sido grosseiro ou seja lá o que for. Eu, pessoalmente, não gosto desse homem. Mas, se me permitem, discordo em gênero, número e grau do autor do texto.
Fernando Henrique tem todo o direito de expressar sua opinião, culta, abalizada, de quem já esteve no governo. Como todo cidadão, tem todo o direito de se expressar, de ter voz, já que nós brasileiros não temos.
Lula, enquanto na oposição, também o fazia. Porque não? Agora, Fernando Henrique ainda não saiu de abraços com Collor de Mello, ao contrário do outro...Se sair, mostrar-se-á tão canalha quantos outros tantos políticos.
Essa é a minha opinião.

Al.way disse...

Eu gostei deste atual presidente. Ele cuidou muito bem da "Çaúdi" da "Siguranssa" e principalmente da "Iducassão." Parabéns pra ele.

Anônimo disse...

Caetano não disse nenhuma besteira, não tem que se explicar o que disse está dito. O problema no Brasil é; o povo acostumou tanto com a mentira que não quer saber da verdade, como também adular mentirosos e admirar os espertalhões. Outro problema é, o povo acredita mais nas propagandas falaciosas e discursos sofistas de Lula, menos nas verdades do dia dia. Quanto ao discurso de desastrosos de lula, não tem nada com sua falta de formação (Lula tem mais formação que muitos que qualquer simples brasileiro poderia ter, discursar como gente do povo, mostra quem o povo é) e sim a forma mais convincente de ludibriar um povo desinformado e com caráter moldado pelos supostos benefícios.
Raphael Souza
Jornalista e editor da Revista A Voz do Brasileiro
www.blogdoraphaelsouza.blogspot.com

Edilza disse...

O Caetano disse besteira SIM! E o principe poderia ter ficado com a boca fechada. Dor de cotovêlo é ruim pacas! Agora, quanta mágoa que a "classe média" tem do metalurgico heim. Deve doer muito ver o sucesso do cara sem os diplomas e o fracasso do super diplomado! Galera que defende o maior lesa pátria que já existiu, BOA NOITE E BOA SORTE!