quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ciúmes, tempero ou veneno para o amor?


O que é o amor sem uma pitadinha de ciúmes? Um eterno vazio... Quem falou isso? Não foi o Dário, que teve sua vida arruinada por uma namorada ciumenta que infernizava seu trabalho ligando de hora em hora e que tantos escândalos aprontou fazendo com que ele fosse despedido do emprego. Nem a Rosa, que teve que processar seu marido e pai de seus dois filhos depois de ser agredida fisicamente por ele em plena rua. Nem as centenas de mulheres e homens que perderam a vida por causa dos ciúmes doentios de seus parceiros.

- Ah! Mas, não é esse o ciúme que estou falando! Então qual é? Existem dois tipos de ciúmes? Não. Existe, sim, um sentimento forte de insegurança em relação, principalmente, a nossa capacidade de amar e conquistar o amor e a atenção do ser amado. Digo sempre que antes de amarmos devemos NOS amar. Isso deveria ser obrigação de todos, devemos isso a nós mesmos. Só ama com alegria e totalidade quem se ama. E, se eu me amo, admiro todas as minhas potencialidades, consigo trabalhar a minha auto-estima e, a partir daí, posso amar e me sentir amada (o) e segura (o).

Não confunda ciúme com carinho e atenção que devemos ter com nosso amado (a). O interesse em sua vida, o estar sempre pronto para ajudá-la (o), ouví-la (o), compreendê-la (o), tudo isso faz parte de um bom relacionamento, de desenvolver e cultivar a parceria em todos os momentos. Evite a cobrança desmedida e a tentativa de comandar a vida dela (e). Assim estaremos, realmente, cultivando nosso jardim de delícias e um futuro de amor e compreensão.

Devemos saber que conviver é um exercício diário de paciência e boa vontade. Cedemos aqui e esperamos que nossa (o) parceira (o) ceda ali também e se isso não ocorrer, devemos dialogar. Nunca, mas nunca mesmo, "deixar pra lá", ceder mais do que podemos e, por vezes, fazemos isso. Ah! Se fazemos! Normalmente, se pudéssemos nessa hora olhar no espelho, com certeza veríamos em nossa expressão aquele ar de "Oh! Como sofro! Fulana (o) nem percebe o quanto estou cedendo e ela (ele) não faz nada!"

Você deve estar pensando: isso não acontece comigo! Que bom! Mas fique atenta (o), pois essa situação é comum e acontece a todos. Devemos impedir que isso aconteça, ceder, sim, mas nunca como uma concessão à outra pessoa. Melhor dialogar, ceder um pouco cada um e fazendo dessa forma vamos evitar que, mais tarde, essa nossa "boa vontade" acabe virando cobrança e cobrança pesada, pode ter certeza.

E você que já sofre com o ciúme ou é vítima dele? O que fazer? Diálogo, muito diálogo. Analisar o relacionamento de forma franca e objetiva. Procurar, no dia-a-dia, motivos para desenvolver a confiança e a boa vontade. Amar em lugar de desconfiar, falar e ouvir, restabelecer bases e dar muito mais valor ao sentimento que os une.

Tenho visto casais resgatando seus relacionamentos apenas com a boa vontade do diálogo. Entendendo ambos que muito do sofrimento que sentiam se devia mais a fantasmas que a situações reais. Costumo dizer que o ciúme se parece com as sombras que vemos nas paredes de um cômodo em penumbra. Parecem assustadoras, são monstros de garras enormes, dentes gigantescos e cavernas horríveis, mas que, apesar de todas essas formas aterrorizantes, não resistem à luz que, ao ser acesa, mostra apenas nosso casaco jogado por sobre uma cadeira.

Vamos pensar sobre isso? Eu garanto que vai valer a pena. E o prêmio? Esse tem um valor inestimável! A nossa felicidade e a felicidade de quem a gente ama!

Regina Racco é Terapeuta Corporal e professora de pompoarismo, trabalha com a técnica de fortalecimento muscular genital pompoar desde 1991.

3 comentários:

Isabel Ruiz, disse...

Com certeza Ricky, o ciúmes é um desamor por si mesmo, uma falta de confiança na sua própria capacidade de amar. Desejo de posse não é amor, é neurose.
Abraços

Serenissima disse...

"A suspeita e o ciúme são como venenos empregados na medicina: se pouco, salva; se muito, mata." (Antonio Perez)

Mas gosto mesmo da definição dada por Rubem Alves:
“O ciúme é aquela dor que dá quando percebemos que a pessoa amada pode ser feliz sem a gente”

Abraços,
Serenissima

Berenice disse...

ciúme é uma doença de amor próprio que precisa ser tratada com seriedade e não estimulada como sendo algo necessário na relação e confundido com cuidado. ótimo post!

bjos