terça-feira, 24 de novembro de 2009

No Brasil, 80% das crianças têm algum sintoma de extresse Infantil


Mudanças comportamentais incluem agressividade, alterações no apetite, choro e mais

Tontura, vômito, dor de barriga, cefaleia e uma série de outros sintomas físicos comuns na infância podem ocultar problemas de relacionamento, insegurança, depressão e estresse.

Pesquisa realizada pela representação brasileira da International Stress Management Association, associação presente em 12 países que trabalha a prevenção e o tratamento do estresse, revelou que oito em cada dez crianças têm manifestações psicossomáticas e apresentam problemas de saúde para os quais não há causa clínica determinável.

Segundo Ana Maria Rossi, presidente da associação e doutora em Psicologia, que só trabalha com sintomas relacionados a estresse, "nosso organismo não diferencia se a criança está tendo dor de barriga porque está ansiosa ou porque comeu maionese estragada. A fonte é bem diferente, mas a sensação de dor e desconforto é semelhante".

Ana Maria supervisionou o levantamento, realizado com 220 crianças, de 7 a 12 anos, em Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). Entre os sintomas físicos resultantes do excesso de tensão, foram citados dores musculares (dor de cabeça e de barriga), distúrbios do sono (pesadelo, sono agitado e insônia), diarreia, constipação, os enjoos e as náuseas.

As consequências emocionais se traduzem em nervosismo, medos, irritação e a impaciência. As mudanças comportamentais incluem a agressividade, a passividade, a dificuldade de relacionamento, as alterações no apetite - incluindo o aumento no consumo de doces - e o choro sem motivo. Os resultados apontam a rotina atribulada como uma das principais causadoras da tensão entre os pequenos.

- As pressões colaboram para que as crianças, cuja única responsabilidade deveria ser a de estudar e brincar, tenham uma série de obrigações que as levam a exercer uma rotina digna de pequenos executivos. Apareceu muito na pesquisa que a criança às vezes mente, diz que tem dor de barriga ou dor de cabeça, apenas para não fazer alguma atividade. O fato é que não importa se ela está inventando ou não. O importante é descobrir porque a criança está fazendo isso.

Se os pais desconfiam que as queixas podem não ser reais, devem conversar com as crianças. Ana Maria conclui: "ela só vai fazer isso se não estiver bem. É preciso descobrir o que está havendo".

do R7

4 comentários:

S. Levy Lima disse...

isso é muito importante. não ocorre só no brasil.
estudos revelam que as crianças de hoje sofrem de perturbações nervosas relacionadas com o stress e que provocam danos físicos e psicológicos.
pergunto-me se elas tivessem vidas mais saudáveis e menos consumistas ou repletas de desejos concedidos, assim como quando nós éramos crianças, se isso não passaria num instante.
é da época e da forma como se vive hoje.

abçs

Cadeiras Para Escritorio disse...

Olá,

Parabéns pela postagem, são muitos que dizem defender os direitos das crianças, mas poucos que realmente o fazem.

Grande Abraço!

Lauro Daniel

Isabel Ruiz, disse...

As crianças estão cada vez mais expostas às neuroses dos adultos, pulando fases de seu desenvolvimento.
Criança não se parece mais com criança, mas com uma miniatura do adulto. Desde tenra idade submetida a diversas rotinas: escola de idiomas, computação etc. Se para nós as pressões do dia a dia são dificeis de encarar, imagine para uma criança.
Excelente post
Abraços
Bel

Camila disse...

Rick, passei por uma situação dessa com meu filho esse ano. De repente ele ficou choroso e eu perguntava o que era e ele não sabia responder. Ele dizia estar "só" com vontade de chorar. No primeiro dia o acalmei e pensei que no outro dia ele nem se lembraria daquilo, mas a situação se repetiu diariamente por mais de uma semana. Eu questionava, perguntava sobre tudo que você puder imaginar e ele só dizia que estava com vontade de chorar. Nem preciso descrever meu desespero, né! Fui no Colégio, conversei com as professoras e com a psicóloga. Foi aí que descobri o motivo, uma brincadeira de mau gosto justamente dos coleguinhas que ele mais gostava. Ele é muito maduro, coitadinho, e se magoou muito. Descoberto o motivo, foi tudo mais fácil. Conversei bastante com ele em casa e a psicóloga na escola. Graças a Deus tudo passou e ele voltou a ser a criança alegre que sempre foi. Foi uma experiência desesperadora que não desejo para ninguém.

Beijo