segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Caso Bateau Mouche 'afunda credibilidade do Poder Judiciário', diz presidente da OAB


O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, disse nesta segunda-feira que é lamentável que se tenham passado duas décadas e nenhum dos acusados da tragédia do Bateau Mouche tenha cumprido pena nos dois processos instaurados.

- Afunda a credibilidade do Poder Judiciário e faz naufragar as esperanças daqueles que, um dia, acreditaram ser possível a justa reparação judicial. O Judiciário aí não cumpre seu papel fundamental na conservação do Estado Democrático de Direito e na tarefa de levar a palavra da justiça àqueles que dela necessitam - afirmou o presidente da OAB sobre o caso.

Britto lembrou que há tempos a entidade defende a teoria de que casos emblemáticos que atingem a sociedade brasileira - como o do Bateau Mouche, que naufragou matando 55 pessoas que foram assistir do barco à queima de fogos em Copacabana - deveriam receber a atenção especial do Poder Judiciário.

- Evitaria, como acontece agora, a ocorrência de casos não julgados ou que caem em prescrições e que, assim, servem de desânimo ao cidadão brasileiro em sua histórica luta em fazer da Justiça uma atividade-fim do Estado - concluiu Britto, salientando que a condução do caso Bateau Mouche pela Justiça acabou sendo um verdadeiro desserviço ao Judiciário brasileiro.

O naufrágio completa 20 anos nesta quarta-feira. O Bateau Mouche afundou perto da Ilha de Cotunduba, na saída da Baía de Guanabara, nos últimos minutos da noite de 31 de dezembro de 1988.
O Globo

Um comentário:

Luiz Antonio André disse...

É por causa desta e outras injustiças(impunidade), que outras tragédias aconteceram e continuarão acontecer, infelizmente.
Abraços